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A Senhora Dança? A Mandy pelas danças da vida.

Um blog para todas as mulheres depois dos “entas” . Mulheres que, na plenitude das suas vidas, desejam celebrar a liberdade de assumirem a sua idade, as suas rugas, os seus cabelos brancos e que querem ser felizes

A Senhora Dança? A Mandy pelas danças da vida.

Não se desiste do que se quer, desiste-se do que dói!

 

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Há alguns anos, vivendo uma relação conturbada, cheia de altos e baixos e muito desgastante, desisti do que julgava ser um grande amor.

É claro que sofri durante algum tempo, mas descobri que de vez em quando é melhor cortar pela raiz do que carregar uma vida inteira de sofrimento.

Desistir  - de alguém, de alguma situação, de algum sonho ou plano-  é uma das decisões mais difíceis de se tomar, pois é um pacto que se  faz com a razão, com a necessidade de seguir em frente com menos dor e mais amor próprio, mas nem sempre está de acordo com a emoção, com a parte de nós mesmos que ainda quer viver amarrada àquele lugar que já fez parte do que somos.

Desistir é uma escolha, mas nem por isso é algo simples ou fácil, uma vez que impõe a quebra de contactos com aquilo que um dia amamos, com aquilo que um dia cuidamos para que não morresse, com aquilo que julgávamos parte de nossa identidade.

Desistir do que dói, dos lugares onde não cabemos mais, das histórias que torcíamos  para que dessem certo,  mas que não deram, dos amores que nos tornam pessoas piores do que, realmente, somos.

Muitas vezes, desistir de um amor é dizer “sim” a si mesmo. É reconhecer que nem sempre aquilo que julgamos “perfeito” é realmente ideal na nossa vida. É entender que alguns amores permanecerão na memória, mas nunca sobreviverão no dia a dia. É dar chance a um caso de amor recíproco consigo mesmo.

Desista de um amor se ele deixou de ser servido numa bandeja de prata, e só sobraram restos que insistimos em aquecer em banho-maria; desista de um caminho se ele não lhe traz satisfação nem significado; desista de uma rotina se ela não a torna uma pessoa melhor e só restam dúvidas a respeito de si mesma; desista de uma culpa  ainda não se absolveu; desista de uma mágoa perdoando quem a feriu, entregando o seu coração a Deus.

Ouvimos muito que não se deve desistir dos sonhos, mas de vez em quando é necessário uma boa dose de humildade para admitir que não há mais nada a procurar, que a antiga expectativa necessita de um “basta”, que o primitivo anseio foi por água abaixo. Se há tantos outros sonhos a serem vividos, por quê insistir em habitar os mesmos velhos sonhos que não se concretizaram como  gostaríamos?

Não desistimos do que queremos, desistimos do que dói. Dos laços que magoam, da indiferença que maltrata, da inconstância que perturba.

E, finalmente, descobrimos que desistir pode ser parte da nossa força também, pois a construção da  nossa felicidade depende daquilo que deixámos pra trás ou permitimos que se despedisse de nós.

 

Mandy Martins-Pereira escreve de acordo com a antiga ortografia

(Texto adaptado de um original de Fabíola Simões)

 

Imagem : Web

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