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A Senhora Dança? A Mandy pelas danças da vida.

Um blog para todas as mulheres depois dos “entas” . Mulheres que, na plenitude das suas vidas, desejam celebrar a liberdade de assumirem a sua idade, as suas rugas, os seus cabelos brancos e que querem ser felizes

A Senhora Dança? A Mandy pelas danças da vida.

"Mulheres com Classe vs.Queijo Gorgonzola"

Entradas.

Estamos a envelhecer, estamos a envelhecer, estamos a envelhecer.

 

Todos os dias ouvimos isto. Mulheres maduras, idade d’ouro, exército de prata. As amigas entre elas comentam: "Estamos a envelhecer”, assim à laia de quem diz:  estamos a apodrecer".

Até agora, não acho que envelhecer seja esse horror todo. Confesso que tenho pena por estar a deixar a juventude para trás. Claro que já tenho rugas; é verdade que a minha pele está a ficar flácida; não possa deixar de ver uns “pneuzinhos” a rodear-me a barriga e,  naturalmente, que todas nós, mulheres, que já entraram nos “entas” sofrem uma grande pressão.

E, nesta onda, lembrei-me de um texto escrito por uma mulher, naturalmente “entradota”, cujo nome não fixei, que fazia uma deliciosa comparação entre as “mulheres entradotas” e o queijo Gorgonzola.

Até onde a minha lembrança vai, o texto rezava, mais ou menos (mais menos que mais), assim:

O queijo Gorgonzola é um queijo que a maior parte das pessoas que conheço gosta. Gostam em saladas, como “amuse-bouche” com aipo, com vinho tinto ou branco, na confecção de alguns pratos e até faz de sobremesa servido com mel. É, na verdade, um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem “status” de iguaria com o seu incomparável sabor exótico e sofisticado (naturalmente para quem aprecia e quem não aprecia, diz que é óptimo para mostrar que é  um “gourmand/gourmet”), vende-se aos quilos nos supermercados, é, naturalmente, caro e é, pasme-se, …  podre.

 

Com uma massa cremosa e um aroma intenso, o gorgonzola é uma variedade de queijo azul fabricado com leite de vaca. A sua invenção data do século X e tem uma história bastante curiosa: diz-se que um queijeiro apaixonado, responsável por fazer o queijo stracchino (*), se esqueceu de fazer o queijo, quando corria atrás de uma gorgonzolense. E, para que o seu patrão não percebesse o descuido, o queijeiro misturou leite ordenhado na noite anterior com o da manhã seguinte… o que deu origem aos fungos, que são a principal marca do gorgonzola. E isto acontece, porque as duas coalhadas, com temperaturas diferentes, provocam bolhas de ar, onde se formam os fungos. É um queijo podre de chique e para ficar gostoso tem de estar no ponto certo da deterioração da matéria.

Nesta linha de pensamento sou forçada a concluir que não é pelo facto de estar a envelhecer, a  apodrecer ou a mofar que devo ser desvalorizada. Pois fiquem a saber que só vou envelhecer até ao ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus me der vida e saúde, morrerei no ponto G da decomposição da matéria. Pensando bem, até estou a ficar uma iguaria, acompanhada de um bom tinto. Afinal, nesta idade e neste estado de decomposição, sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou um vulgar queijo flamengo, ou um sucedâneo do Castelões para acompanhar uma bebidinha sem compromisso, ao fim da tarde. Não sou para o “bico” de qualquer um, nem ligo a um qualquer "pé rapado". Agora tenho “status quo”.

Sou um queijo Gorgonzola.

 

(*)  Stracchino queijo de  origem italiana (também conhecido como Crescenza), feito de leite de vaca fresco das regiões da Lombardia, Piemonte e Vêneto. É um queijo fresco e macio de textura cremosa, amanteigada e espalhável, de cor branca e amarelada e sem casca. Possui um sabor delicado, fresco e levemente adocicado, com aroma muito agradável e rico.

 

Imagem : Web

 

(Texto adaptado)

 

Mandy Martins-Pereira escreve de acordo com a ortografia antiga

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